18 de out. de 2015

tenho que sumir dessa casa, minha presença aqui está incomodando todo mundo
meu desconforto torna-se também um desconforto pros outros, tenho que sumir pra que meus pais possam ser livres e viver a vida deles... posso arrumar qualquer emprego, morar de favor.. até as coisas irem se arrumando... posso comprar passagem pro sul de minas e passar uns tempos com um conhecido da internet... não posso ficar aqui hoje...
vc vai estar em casa posso, ir prai?
- não vou sair daqui a pouco...
então vou pra federal...
- vai pra laboratório de que?
sei lá, eu não posso é ficar em casa...
não penso em realmente fazer tudo o que pensei, precisa de ser mais corajoso que eu pra fazer isso... penso em apenas uma fuga momentânea, nem que seja pra ir pra esquina e ficar pensando na vida...
arrumo minha mochila, carregador de cel, jaleco, 2 blusas, escova de dente, mp3 player, pilhas e bastante dinheiro (caso eu tome coragem de fazer alguma coisa mesmo),
abro a gaveta e pego na caixinha onde guardo as lembranças das pessoas mais importantes e pego o recado mais carinhoso que já recebi. "vc está muito distante, não gosto de te ver assim, saiba que pode contar comigo sempre que precisar, beijos da ----" em volta estavam desenhadas banderolas, estrelinhas, e balõezinhos voando... era tão meigo... eu nunca ganhei nada assim....aquilo era pra mim como o santo graal, como uma relíquia sagrada... eu sempre poderia contar com ela não importasse o que houvesse.... guardei dentro de um envelope plástico, e fechei com todo cuidado, e resolvi leva-lo comigo
1207.. a criança de braços dados com a mãe não para de me olhar.. é a culpa que me torna vitima dos olhares alheios... será que tem algo de errado comigo... o que será que eles estão vendo...
mando uma mensagem pro amigo que usualmente trabalha na federal perguntando se ele estaria lá.. claro que não está.. jogo do Brasil... está completamente deserto....tenho que encontrar alguém, não posso ficar sozinho eu e minha cabeça...
lembro que que falaram que tinha uma biblioteca de áudio visual ou algo assim, em que tinha umas cabines e podia ficar assistindo filmes, etc.. seria legal ficar assistindo algum filme clássico... seria uma boa fuga da realidade... penso que poderia ser no prédio de belas artes... mas chego lá e encontro tudo deserto... procuro nos papeis colados na parece, e nas placas de localização, se tinha algo assim.. não encontrei...
na saída aparecem duas moças, decido perguntar pra elas se elas sabem de alguma coisa... elas também não estudavam lá, só estavam lá querendo a cantina aberta, troco mais duas ou três frases e vou me embora, sem agradecer, sem me despedir, sem falar nada.. apenas viro as costas e me vou... penso... elas pareciam tão simpáticas, eu podia ter conversado melhor com elas, quem sabe tínhamos coisas em comum, poderíamos vir a ser grandes amigos, ou algo mais, mas acabaram sendo só duas pessoas quaisquer e eu um tolo, mal educado...
O icb estava escuro, cinza, e gelido, como sempre, apesar do jogo do brasil, algumas almas desconhecidas circulavam pelos corredores... uma amiga costumava ter aulas as sextas a noite.. (me esquecendo que muita gente ja está de ferias, e que definitivamente aquele não é um dia pra se estar ali...) mando mensagem procurando por ela.... nem resposta ganho...
e cabisbaixo vou andando...

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